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 http://recriandovinculos.blogspot.com/



Escrito por Andrea Raquel às 19h06
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OLÁ

         Meu nome é Andrea Raquel,

        sou psicóloga e psicoterapeuta.

        Este é um espaço aberto, que se propõe

        a discutir temas relacionados à saúde e educação.



Escrito por Andrea Raquel às 23h53
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Reflexão: A promiscuidade nossa de cada dia

 

A Companhia dos Gansos (http://ciadosgansos.blogspot.com/) está apresentando, em diversas cidades do interior de SP, no projeto Viagem Teatral do SESI, a peça O Rei dos Urubus. Escrita por Leonardo Cortez e dirigida por Marcelo Lazzaratto, esta tragicomédia, como é chamada pelos atores, possibilita importantes reflexões a respeito do nosso mundo contemporâneo e das relações que nele vivemos.

A peça enfoca os bastidores de uma emissora de TV, responsável por programas sensacionalistas, nos quais o único valor cultivado é o índice de audiência, que determina o investimento dos anunciantes na emissora. As relações entre os profissionais de mídia, na peça como provavelmente na vida, são totalmente pautadas pela competição, pela vaidade, pela hipocrisia e pela ausência absoluta de ética. Os fatos que se transformam em programas de TV, abordando celebridades e destruindo seres humanos, são criações fictícias narradas a partir de acontecimentos reais. Lembramos, então, do seqüestro e assassinato de Eloá, em outubro/2008, tragédia que a mídia não somente registrou, mas, quem sabe, ajudou a patrocinar.

A discussão sobre o papel da imprensa ou, mais exatamente, da mídia televisiva no Brasil, é algo sempre necessário e urgente, visto que, sem perceber, vamos consumindo e aprendendo a desejar os produtos, as idéias e as emoções que nos são vendidas através das propagandas e dos programas. Pergunto-me, neste momento, até que ponto e em que nível a promiscuidade das relações entre os políticos ou entre os profissionais da mídia - ambos nos chamam mais a atenção -, refletem, de alguma forma, a “promiscuidade nossa de cada dia”.  

Será que também olhamos e interagimos com o mundo a partir da lógica perversa na qual estamos inseridos? Por exemplo, em geral as pessoas vão mais ao teatro quando há uma celebridade no palco; em geral, as pessoas que gostam de livros compram os livros que são mais lidos e divulgados, classificados naquelas listinhas publicadas nos jornais de domingo; em geral, as pessoas criticam muito a televisão, mas não ficam um só dia sem ela. E se eu continuar generalizando as situações e as pessoas, com certeza serei vítima e vilã do mesmo olhar capitalista que estou questionando.

Entendo que o questionamento pode se constituir num exercício diário, contínuo e prazeroso, aberto e compartilhado, buscando criar certa resistência ao senso comum, dominado pelos números, pela quantidade, pelas medidas e pelo lucro a todo custo.

Os efeitos nefastos dessa ótica de vida são diversos, dentre eles o adoecimento físico e mental, regulado pela necessidade que temos de atender às demandas dos “superlativos”: temos que ser “o melhor dos melhores”, de preferência em tudo; precisamos aprender a “superar nossos limites”; cobramos de nossos filhos que sejam  alunos “Nota 10”; procuramos meninos que “brilhem” no futebol; ensinamos às meninas que a “beleza é tudo”, elogiando-as quando desfilam e usam saltos, apenas com 3 anos de idade...

Alguém poderia me interpelar, afirmando que não há problema algum nessas “crenças” - ou imperativos sociais. Convido a todos para que se perguntem: será que não há mesmo? Será que esses valores não estão “naturalizados” em demasia, possibilitando que sejamos passivos? Qual o preço que estamos pagando por cultivá-los em nossas vidas e em nossas relações?

 

 Andrea R. Martins Corrêa



Escrito por Andrea Raquel às 23h40
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Educação: Criança

O caderno Equilíbrio, do jornal Folha de SP, traz hoje um artigo interessante da educadora e psicóloga Rosely Sayão, denominado Alfabetização Precoce. Também é possível ler o artigo através do seu blog - http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/.

Registro abaixo o meu repúdio às exigências absurdas que têm sido feitas a todas as crianças, para que deixem rapidamente a infância.  É um manifesto à brincadeira.

O Importante é brincar

  • Brincar significa toda atividade lúdica que a criança realiza com prazer e satisfação no dia-a-dia. Ao tomar banho, ao comer, ao falar, ao passear, ao ajudar os pais em casa a criança pode estar brincando. Não é preciso que se tenham muitos brinquedos para brincar: a criança brinca com tudo, até com a própria sombra...

 Por que as crianças brincam

  • As crianças brincam porque é divertido e faz bem; brincam porque precisam conhecer o mundo e explorá-lo; brincam para desenvolver o corpo e experimentar novas habilidades; brincam simplesmente porque existem como crianças.
  • A criança é mais livre e espontânea quando tem a oportunidade de brincar com outras crianças, pular amarelinha, imitar animais, construir castelos na areia, subir em árvores, andar de bicicleta e rodar pequenos peões.  
  • Brincar é algo muito sério para as crianças. Do brincar depende a sobrevivência emocional de todas elas.
  • Uma criança que não brinca ou brinca pouco pode ficar prejudicada em seu desenvolvimento.
  • Brincando a criança exercita sua imaginação e aprende a criar, a sonhar e a transformar o mundo.
  • Nós, adultos, podemos aprender muito com nossas crianças se conseguirmos brincar e olhar a vida como elas olham: do universo da imaginação.

 Cadê a brincadeira?

  • No universo da imaginação infantil cabem todas as estrelas do céu, cabe o sol, a lua e outros planetas. Cabem os pássaros e os cavalos alados, os parques gigantes e os pequeninos grãos de areia.
  • A imaginação infantil é suficientemente rica para dar forma a uma brincadeira.
  • Professores e educadores têm alertado para o fato de que crianças de 4 anos não querem mais brincar porque preferem conversar sobre o que assistem nas novelas abusivas da televisão.
  • É preciso ficar atento para que a infância não morra, pois então teremos nossa capacidade de amar e de sentir prazer reduzidas, e ensinaremos às nossas crianças que o nosso mundo não vale a pena.
  • Lembremos de nossa própria infância: se por acaso o direito de brincar não nos foi assegurado, asseguremos o sonho e a vida de nossas crianças... brincando, brincando, brincando...

 

Andrea R. Martins Corrêa

Psicóloga / Psicodramatista

andrea-raquel@bol.com.br 



Escrito por Andrea Raquel às 14h52
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Poesia

De Carlos Drummond de Andrade, para todos nós:

 

  Mãos Dadas

 

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros. 

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

 Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

  Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 

 



Escrito por Andrea Raquel às 19h10
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Artigo: Cinema

Valentin, um olhar sobre a vida

 

Valentin é um garoto razoavelmente travesso. Com sua inteligência e imaginação, cria planos para levar a avó ao hospital, para conhecer a namorada do pai, para tornar-se astronauta e, principalmente, para sobreviver em condições bastante desfavoráveis.

Com seus óculos enormes, Valentin, menino órfão de pais vivos, é um sobrevivente. Não de guerra, mas de vida: vida que lhe foi negada durante a infância de pelo menos oito anos, tempo suficiente para tornar-se um “pequeno adulto”.

Sua história se passa nos anos 60 da Argentina, época em que os bairros das grandes cidades também se organizavam como comunidades, propiciando aos cidadãos uma rede de proteção social. Valentin mora com sua avó, seu pai aparece de vez em quando e sua mãe, nunca. Porém, Valentin, apesar de ser pobre, não se transforma em uma criança de rua: freqüenta a escola, vai à casa dos amigos para brincar, anda sozinho pelas ruas, conhece seus vizinhos, faz compras no mercado, passeia de charrete com o vendedor de frutas e, no final do filme, é adotado, de certa forma, pelos pais de um colega.

Não que Valentin fosse feliz, pelo contrário, o filme nos revela a solidão e o tédio de uma criança que foi praticamente abandonada por seus pais, sente falta especialmente da mãe, que todos os dias espera voltar. Definitivamente, não se trata de felicidade. Trata-se, talvez, de sobrevivência emocional, afetiva e social. Ou, de algum modo, de redenção.

Sim, porque Valentin não morre, bem como não morrem muitas de nossas crianças que vivem aos montes nos sinaleiros, que são violentadas por seus próprios cuidadores, que são abandonadas em sacos de lixos, que ficam sozinhas em casa na companhia da TV, que usam drogas pra esquecer o quanto não são amadas, com dinheiro ou sem dinheiro. Crianças sobreviventes, como alguns de nós, quem sabe!

A história de Valentin poderia ser a nossa própria história, obrigando-nos a recordar a história de crianças que não sobreviveram, vítimas de tiroteios ou “balas perdidas”, de desnutrição ou descuidos, em pleno século XXI.

Valentin, certamente, conta-nos um pouco da infância de Alejandro Agresti, diretor do filme, que se baseou em sua história de vida para criar esta imperdível obra de arte do cinema argentino. E como toda grande obra de arte é uma “obra aberta” - concepção de Umberto   Eco -, passível de inúmeros olhares e interpretações, Valentin é um filme que termina sem sabermos exatamente qual é o seu fim. Pode ser feliz ou triste, dependendo do desejo e da fé de cada expectador.

Como a vida, o filme tem um narrador, que é o próprio Valentin escrevendo sua história, registrando seu olhar sobre o mundo. Cada cena, cada gesto de um personagem é construído a partir de sua perspectiva, transitando entre a fantasia e a realidade, entre o medo e a coragem, entre a dor e a alegria de ser criança em condições de sobrevivência.

Sobrevivência esta garantida pela interação de vários fatores, desde a presença efetiva e razoavelmente cuidadora da avó e da comunidade, até a riqueza do universo imaginário de Valentin, contrapondo-se à pobreza do cotidiano em que vive. Através da fantasia e da criatividade, nosso protagonista encontra saídas para diversas situações e angústias, na medida em que consegue integrar tais fantasias à realidade, agindo sobre esta. É este movimento espontâneo que tem sido negado às crianças nos dias atuais, propiciando que se tornem agressivas e deprimidas, solitárias ou desatentas.

Quase todos os adultos, pais e educadores também, têm muita dificuldade de compreender que o olhar de uma criança para o mundo, seus sentimentos, sua forma de organização e pensamento diferem da nossa excessiva racionalidade. Em geral, nós temos pouca imaginação em tudo o que fazemos, somos rígidos, controladores e perfeccionistas, exigindo o mesmo de nossos filhos. Perdemos a oportunidade de aprender, com eles, que a vida poderia ser mais interessante e alegre, conquanto mais lúdica e criativa.

 

 

Andrea Raquel Martins Corrêa

Psicóloga e Psicodramatista

andrea-raquel@bol.com.br

 



Escrito por Andrea Raquel às 13h20
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Artigo: Educação

A Criança e a TV

 

          O meio de comunicação de massa mais difundido em nossa sociedade, apesar do avanço da Internet, ainda é a televisão. É fato que os programas televisivos, mesmo com todas as suas deficiências, ampliam o acesso à informação, considerando que vivemos em um país pleno de desigualdades. Faz-se necessário, no entanto, avaliar a qualidade e o impacto sócio-cultural dessas informações, veiculadas através dos programas que a TV exibe e assistidas por um grande público, dentre eles o público infantil.

A reflexão acerca desse tema é bastante polêmica, pois envolve divergências conceituais, pedagógicas e ideológicas. Porém, é urgente que todos nós adultos, pais, educadores e terapeutas, comecemos a discutir, com maior ênfase, o papel que a TV tem desempenhado na nossa própria educação e na educação cotidiana de nossos filhos.

Como nossas crianças têm sido tratadas pelos produtores de televisão? Quais valores humanos, éticos e morais são difundidos e legitimados nas novelas e nos desenhos? A TV respeita o Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante o direito à proteção da criança frente aos meios de comunicação? Longe de pretender dar respostas a questões tão complexas, talvez seja possível esboçar o assunto, com a finalidade de estimular e contribuir para o debate.

Convivemos, atualmente, com crianças de três e quatro anos que nos contam: “eu vi a Isabela sendo jogada na janela pelo seu pai”. Através da TV, durante os intervalos da programação infantil de quase todos os canais abertos - salvo as TVs públicas, como a Cultura (SP) e a Educativa (RJ) -, as crianças foram obrigadas a acompanhar a tragédia do “Caso Isabela”, com dramatizações insistentes e sensacionalistas, que reproduziam a cena cruel do assassinato. Vale a pena lembrar que as crianças pequenas ainda não compreendem a diferença entre fantasia e realidade, ou seja, entre o mundo da imaginação, da ficção e o mundo real, dos fatos tangíveis. Isso significa que, para elas, a boneca utilizada nas cenas de reconstrução do crime não era uma boneca, era de fato Isabela, por mais que os adultos lhes expliquem a realidade. Portanto, do ponto de vista da criança pequena, até cerca de cinco, seis anos ou mais, Isabela foi vista sendo jogada pela janela por todos nós.

Sabemos que as crianças dessa faixa etária vivenciam inconscientemente muitas fantasias relacionadas a situações de violência. Os contos de fadas representam essas vivências infantis através de histórias e personagens que muitas vezes auxiliam a criança a lidar com tais fantasias  ( pensemos na vovó sendo devorada pelo lobo, ou na Branca de Neve sendo envenenada pela madrasta ). No entanto, os contos de fadas diferem absolutamente dos programas televisivos, que parecem estar muito mais próximos dos espetáculos de horror e execração pública que ocorriam, por exemplo, na Idade Média, dos quais as crianças participavam.

No contexto atual, como “evoluímos” e nos tornamos mais civilizados ( será? ), enforcar alguém em praça pública tornou-se indecente e insuportável para toda a sociedade. Mas assistir a cenas de terror, vexame e violência ao lado das crianças, pela televisão, é permitido. Talvez esta seja a forma moderna, segundo alguns estudiosos, de expressar e atuar nosso lado sórdido, perverso e amoral: podemos assistir a tudo, nos deliciar com tragédias alheias e brutais, já que estamos “de fora”, somos meros espectadores, não somos autores das atrocidades.

Por outro lado, somos testemunhas e co-participantes do universo real/imaginário que a TV nos apresenta, invadindo todos os ambientes pelos quais circulamos, desde academias de ginástica, restaurantes, escolas, salas de espera, elevadores, ônibus, etc. Na maior parte das vezes, não há mais possibilidade de nos relacionarmos uns com os outros sem a mediação da televisão. É freqüente que as reuniões familiares sejam acompanhadas pelos ruídos dos jornais ou novelas. Na sala, na cozinha, nos quartos há aparelhos de TV, para todos os familiares, inclusive para as crianças, o que propicia um individualismo exacerbado, pouca comunicação e, quem sabe, muita solidão.

Este cenário das relações humanas permeadas pela televisão naturalizou-se, transformando-se em algo inquestionável, pouco discutido nos meios educacionais. Permitir que as crianças fiquem horas passivamente diante da TV, alimentando-se, estudando, brincando e aprendendo que desejos e afetos podem ser ilusoriamente satisfeitos através da Barbie, das Super Poderosas, dos chocolates e danoninhos, tudo isso tem sido considerado “natural” e saudável, até porque também nos seduz. Queremos o carro do ano, a bolsa da moda, o sapato de marca e tantas outras coisas que acabamos por acreditar que nos preenchem, nos imprimem alguma identidade, nos faz existir, ao mesmo tempo em que nos aprisiona no universo do consumo, pobre culturalmente e afetivamente.

Nossas crianças, desta maneira, estão correndo o risco de viver uma infância empobrecida, sem criatividade e sem limites para os próprios caprichos e vontades imediatas. São vítimas de uma sociedade que cultiva prazeres egocêntricos, que se dissipam rapidamente e não contribuem para o crescimento nem para o amadurecimento individual. Por isso e tantas outras coisas é que, enquanto educadores, precisamos protegê-las, instaurando o diálogo e a discussão sobre a TV, em casa e na escola.

 

              Andrea Raquel Martins Corrêa

              andrea-raquel@bol.com.br

 



Escrito por Andrea Raquel às 12h47
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BRASIL, Sudeste, PIRACICABA, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, Música, Livros, Cinema
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